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RODEIOS
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Finalmente abordemos uma das atividades que geram grandes lucros e diversão
a cidades inteiras, as custas de animais, o que ocorre no caso de rodeios.
Quem apóia estas práticas defendendo suas atividades, diz que não
há maus-tratos aos animais que, pelo contrário, são animais caros e por
isso mesmo são bem tratados e alimentados. Mas será que um animal salta
“loucamente” ou fica tão bravo e arredio sem motivo algum?
Indubitavelmente que os animais sofrem maus-tratos e estresse
demais nesses eventos, principalmente porque são atividades que visam
lucros, verdadeiras indústrias da música sertaneja, e que somente terão
sucesso às custas dos animais utilizados e do “show” produzido, com
os seres humanos tentando mostrar-se superiores aos animais, tentando
dominá-los como “homens das cavernas”.
A realização de rodeios tem trazido grandes discussões em juízo,
tendo muitos deles sido cancelados, pelas provas incontroversas de que
causam maus-tratos aos animais. Os
organizadores de rodeios alegam que o animal trabalha apenas por oito
segundos, como se não houvesse centenas de horas de treinos, muitas
vezes, com o mesmo animal. Eles contestam também que os animais
utilizados são selvagens e que pinoteiam por índole. Caso fosse verdade
o sedem não seria necessário e o animal não pararia de pular após a
retirada do mesmo. São
utilizadas verdadeiras ferramentas de tortura para causar estímulos aos
animais, como agulhadas elétricas, um pedaço de madeira afiado,
unguentos cáusticos e outros dispositivos são usados para irritar e
enfurecer os animais usados nos rodeios, com o objetivo de mostrar um
"bom show " para a multidão. Os instrumentos mais utilizados têm
sido:
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Sedem
ou sedenho: é um
artefato de couro ou crina que é amarrado ao redor do corpo do animal
(sobre o pênis ou o saco escrotal) e que é puxado com força no momento
em que o animal sai à arena. Além do estímulo doloroso pode também
provocar rupturas viscerais, fraturas ósseas, hemorragias subcutâneas,
viscerais e internas e dependendo do tipo de manobra e do tempo em que o
animal fique exposto a tais fatores, pode-se evoluir até o óbito;
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Objetos
ponteagudos:
pregos, pedras, alfinetes e arames em forma de anzol são colocados nos
sedenhos ou sob a sela do animal;
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Peiteira
e sino: consiste
em outra corda ou faixa de couro amarrada e retesada ao redor do corpo,
logo atrás da axila. O sino pendurado na peiteira, constitui-se em mais
um fator estressante pelo barulho que produz à medida em que o animal
pula;
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Esporas:
às vezes pontiagudos, são aplicados pelo peão tanto na região do
baixo-ventre do animal como em seu pescoço, podendo provocar lesões e
perfuração do globo ocular em grande parte das vezes;
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Choques
elétricos e mecânicos:
aplicados nas partes sensíveis do animal antes da entrada à arena;
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Terebentina,
pimenta e outras substâncias abrasivas: são introduzidas no
corpo do animal antes que sejam colocados na arena, para que fiquem
enfurecidos e saltem;
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Golpes
e marretadas: na
cabeça do animal, seguido de choque elétrico, costumam produzir convulsões
no animal e são os métodos mais usados quando o animal já está velho
ou cansado, com a finalidade de provocar sua morte. Todos estes recursos que fazem o animal saltar descontroladamente, atingindo altura não condizente com sua estrutura, resultando muitas vezes em fratura de perna, pescoço e coluna, distensões, contusões, quedas, etc. Segundo
a Dra. Irvênia Prada 1,
que foi por muitos anos Professora Titular da Faculdade de Medicina da USP
e tendo mais de uma centena de trabalhos publicados em Anatomia Animal, ao
observar as fotos dos animais em plena atividade no rodeio declarou: "os
olhos dos animais mostram uma grande área arredondada, luminosa,
consequente à dilatação de sua pupila. Na presença de luz, a pupila
tende a diminuir de diâmetro (miose). Ao contrário, a dilatação da
pupila (midríase) acontece na diminuição ou ausência de luz, na vigência
de processo doloroso intenso e na vivência de fortes emoções (medo, pânico..)
e que acompanham situações de perigo iminente, caracterizando a chamada
Síndrome de Emergência de Canon. No ambiente da arena de rodeio, o
esperado seria que os animais estivessem em miose, pela presença de luz.
Assim, a midríase que exibem é altamente indicativa de que estejam na
vigência da citada Síndrome de Emergência, o que caracteriza o
sofrimento mental." O médico veterinário Dr. C.G. Haber, que passou 30 anos como inspetor federal de carne, trabalhou em matadouros e viu vários animais descartados de rodeios sendo vendidos para abate. Ele descreveu os animais como "tão
machucados que as únicas áreas em que a pele estava ligada à carne eram
cabeça, pescoço, pernas e abdome. Eu vi animais com 6 a 8 costelas
quebradas à partir da coluna, muitas vezes perfurando os pulmões. Eu vi
de 2 a 3 galões de sangue livre acumulado sobre a pele solta. Estes
ferimentos são resultado dos animais serem laçados nos torneios de laçar
novilhos ou quando são montados através de pulos nas luta de
bezerros."2 Embora os cowboys de rodeio voluntariamente arrisquem-se a sofrer injúrias nos eventos em que participam, os animais que eles usam não têm esta escolha. Em 1986, no rodeio de Calgary, em Alberta no Canadá, um dos maiores rodeios da América do Norte, oito cavalos foram mortos num acidente numa corrida de carroças 3. As
regras da associação de rodeios não são eficazes na prevenção de lesões
e não são cobradas com rigor, nem as multas são severas o bastante para
evitar
maus tratos. Por exemplo: se um bezerro é ferido num torneio, a única
punição é que o laçador não poderá laçar outro animal naquele dia.
Se o laçador arrastar o bezerro, ele poderá ser desclassificado. Não há
regras protegendo os animais durante as provas e não há nenhum
observador objetivo ou exames requisitados para determinar se um animal
foi ferido num evento 4.
Assim, pelo breve exposto, não há dúvidas de que rodeio trata-se de atividade de exploração econômica, na qual os maus-tratos aos animais são regra, e devendo-se, portanto, serem proibidos. 1 Prada, Irvênia. A alma dos animais.Mantiqueira. Campos do Jordão: 1997. 2
Human Society of the United
States, interview with C.G. Haber, DVM (Rossburg, Ohio),1979 3
"Rodeo :American Tragedy or Legalized Cruelty?" The Animals
Agenda, March 1990 4 Schmitz, Jon "Council Bucks Masloff’s Veto On Rodeo Bill" Pittsburgh Press, Nov27, 1990
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